Filha do mar,
corre ondas de todas as cores,
em busca do amor
e nasceu no anseio das vagas
em grutas de cristais.
Bradou às ondas,
que a levassem para terra,
porque de corpo pertence à água,
mas de pensamento ao beira-mar.
Queria nas finas areias da praia
beijar um belo pescador…
mas o choro das ondas
cruéis e amadas,
fizeram-na esquecer o amado
e ao seu velho rochedo voltar.
Enfeitiçou-se por ela o desditoso,
quis levá-la para as areias
onde sem cauda o foi beijar.
Pobre sereia,
seu coração a ele pertence
mas o corpo à imensidão do mar.
Desditosa,
pobre açucena apaixonada
mergulhou até ao fundo
em busca do rei dos mares.
Neptuno manteve-a aprisionada
e para sempre designada
aos barqueiros arrebatar.
Ao despedir-se dele
pisou pela última vez os graciosos areais
e com o gosto do seu beijo
pelas ondas se deixou guiar.
Esvaneceu-se por amor,
mas estará para sempre no mar.
Ainda hoje se ouve o canto
da desventurada sereia
que em noites de lua cheia
lembra seu amor
aos enamorados
que pelas dunas passeiam.
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