segunda-feira, 19 de outubro de 2009

amor de uma sereia

Filha do mar,

corre ondas de todas as cores,

em busca do amor

e nasceu no anseio das vagas

em grutas de cristais.

Bradou às ondas,

que a levassem para terra,

porque de corpo pertence à água,

mas de pensamento ao beira-mar.

Queria nas finas areias da praia

beijar um belo pescador…

mas o choro das ondas

cruéis e amadas,

fizeram-na esquecer o amado

e ao seu velho rochedo voltar.

Enfeitiçou-se por ela o desditoso,

quis levá-la para as areias

onde sem cauda o foi beijar.

Pobre sereia,

seu coração a ele pertence

mas o corpo à imensidão do mar.

Desditosa,

pobre açucena apaixonada

mergulhou até ao fundo

em busca do rei dos mares.

Neptuno manteve-a aprisionada

e para sempre designada

aos barqueiros arrebatar.

Ao despedir-se dele

pisou pela última vez os graciosos areais

e com o gosto do seu beijo

pelas ondas se deixou guiar.

Esvaneceu-se por amor,

mas estará para sempre no mar.

Ainda hoje se ouve o canto

da desventurada sereia

que em noites de lua cheia

lembra seu amor

aos enamorados

que pelas dunas passeiam.

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