quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Memoria

Mano
agora distante
longe da minha vida,
irrecuperável na partida que percebo
certa.
Sonhei-te há tempos já morto, prestes a entrar na câmara que
te consumiu para sempre. Acordei sobressaltada,
num grito que tinha ainda cá dentro... estremeci de terror
e compreendi que estava a arrumar dentro de mim
aquele dia,
definitivamente.

Noutro tempo
surpreendi-me a recordar tão vivo o teu sorrir
a lembrar as piadas só tuas
tão tuas
que fazias a meu respeito, a respeito de tudo
de todos.

Voltei a escutar-te o
amplo gargalhar
e revisitei os teus dedos finos, o teu corpo
o teu abraço incondicional.
Voltei ao meu percurso e caminhei sozinha
agora sinto falta de ti….só tenho memorias
Enquanto conversávamos
enquanto te contava as minhas desventuras
enquanto me aconselhavas do alto da tua juventude sábia.

Lembrei-me do quanto me protegeste
de tudo o que passei contigo
dos lugares que imaginei percorrer contigo….
Sinto a tua falta, sim.
Tenho saudades do que vivi contigo.
Sim, do que vivi, do que vivemos. Não foi o vazio que deixaste
Mas o segredo.
O segredo do vínculo fraterno
Seguro
Autêntico
Verdadeiro... Único.

Partiste dentro de mim.
Partiste.

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